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Food InnovationRadarTendências de consumo em 2018: desafios e oportunidades na segurança alimentar

Tendências de consumo em 2018: desafios e oportunidades na segurança alimentar

Quando pensamos em tendências de consumo globais em alimentos, alguns temas inegavelmente nos vêm à mente: busca por produtos mais frescos e saudáveis, reposicionamento de produtos indulgentes, valorização de ingredientes locais, entre muitos outros. Recentemente, no entanto, um novo tema vem ganhando cada vez mais espaço nas arenas de discussão sobre alimentos e bebidas: a segurança alimentar. Denúncias sobre produtos com composição e data de validade adulteradas, adição de ingredientes não permitidos ou em quantidades acima do aceitável são apenas alguns dos exemplos trazidos à tona ao longo dos últimos anos.

Desta forma, é fundamental compreender a fundo quais são as tendências de consumo globais e quais os desafios e oportunidades que elas trazem para a cadeia de segurança dos alimentos. E esta pauta foi discussão da International Food Safety Conference 2018, um evento organizado pela NSF International no Brasil, com objetivo de reunir os principais players da cadeia de distribuição e produção de alimentos, fomentando boas práticas de segurança alimentar e competição saudável no mercado.

Na última edição do evento, realizado em São Paulo, no mês de março, uma palestra da Euromonitor International apontou algumas das principais tendências globais em consumo de alimentos e bebidas, salientando os desafios e oportunidades que apresentam do ponto de vista da segurança alimentar, aplicadas ao mercado brasileiro. As tendências são parte de um estudo global realizado pela consultoria, chamado de Top 10 Global Consumer Trends 2018.

Empreendedores adaptativos: oportunidade durante a crise ainda gera preocupação com segurança

Com a grave crise econômica que assolou o Brasil nos últimos três anos, muitas famílias tiveram sua renda disponível drasticamente reduzida e viram-se forçadas a rever alguns padrões de compra adquiridos até então. Por um lado, esta busca por fontes complementares de renda, somada à demanda por opções de alimentação mais baratas, vem de encontro à tendência global dos empreendedores adaptativos. São consumidores que buscam mais flexibilidade e liberdade em suas jornadas de trabalho, arriscando-se em novos negócios e buscando tirar seus sonhos do papel. Aproveitam as tecnologias disponíveis – como a internet e as redes sociais – tanto como plataforma de vendas quanto ferramenta de divulgação dos seus produtos.

No Brasil, uma onda significativa de empreendedores oferecendo produtos como “marmitas” saudáveis e de comida caseira, além de outros produtos como bolos, cupcakes, ovos de páscoa e uma infinidade de outros produtos, se consolidou. O grande desafio, no entanto, está em profissionalizar estes empreendedores, garantindo a oferta destes produtos com a assepsia e segurança necessárias para o consumidor.

Em sua palestra apresentada no evento da NSF, Andrea Barbosa, da Vigilância Sanitária da Cidade de São Paulo, destaca a importância do trabalho de fiscalização e orientação destes produtores, a fim de reduzir e eliminar os riscos à saúde em decorrência de alimentos. Ela destaca que é possível que os produtos sejam desenvolvidos dentro das condições adequadas de segurança, mas a estocagem incorreta pode ser determinante para a qualidade final do alimento. Por isso, é cada vez mais importante capacitar e profissionalizar os empreendedores do ramo alimentício no país, a fim de que possam competir de forma mais saudável e conquistar seu espaço no mercado.

Consumidores Detetives: marcas precisam provar seu valor e mostrar transparência

Ainda em decorrência das recentes denúncias de fraude alimentar, muitos consumidores têm se mostrado cada vez mais céticos e críticos em relação a produtos massificados, buscando cada vez mais informações sobre as práticas da empresa, seus valores e cadeia de produção. Eles anseiam por maior transparência das marcas, mas não hesitam em buscar outras fontes de informação se não recebem o nível adequado pelo próprio fabricante. A história por trás da marca e o que ela representa passam a desempenhar um papel de compra tão importante quanto a própria experiência do consumo.

Segundo a palestra de David Baker, da NSF International, uma das alternativas para se lidar com esta nova demanda é por meio de inovação em rastreabilidade, suportada pela tecnologia de block chain. Baker ressalta que isso poderia fazer com que todas as informações acerca da produção, distribuição e estocagem de um produto sejam registradas de maneira segura e permitir maior controle sobre seu nível de qualidade.

Ele destaca a importância deste processo do ponto de vista de compartilhar informações para todos os elos da cadeia, além de possibilitar a tomada de decisões mais rápida acerca do produto e seu gerenciamento nos canais de venda, por exemplo.

Vida limpa: como a busca por um consumo mais consciente influencia na segurança dos alimentos

Uma outra tendência que emerge e se consolida é da busca por um estilo de vida mais minimalista, com um consumo responsável e que gere o menor volume de resíduos. Os consumidores que fazem parte deste movimento acreditam muito no seu poder de influenciar e melhorar as condições do meio ambiente por meio de suas escolhas de consumo e priorizam produtos e serviços cujos valores sejam condizentes com esta proposta.

Um dos principais caminhos adotados pelas empresas que buscam adotar uma postura mais sustentável é por meio de mudanças em suas embalagens. Este caminho é um dos mais perceptíveis aos olhos do consumidor e, de fato, pode gerar um significativo impacto no meio ambiente.

Aparecido Borghi, da Daymon Worldwide, em sua palestra reforça que os esforços em redução das embalagens dever ser feitos somente se mantiverem ou reduzirem os impactos do produto. A função primordial da embalagem é proteger o produto e deve ser levada em consideração antes de qualquer mudança. Isso porque nem sempre o que parece mais sustentável realmente o é: uma embalagem mais robusta pode aumentar o prazo de conservação/validade de um determinado produto e, assim, evitar o desperdício – e isso também é ser sustentável. Uma embalagem plástica de menor gramatura, por exemplo, pode requerer menos recursos em sua fabricação e gerar menos resíduos, mas o que realmente vai determinar o impacto sustentável desta embalagem são as características do produto que ela armazena e se ela cumpre de maneira efetiva o seu papel principal: protegê-lo.

Estes foram apenas alguns dos temas abordados durante os dois dias de evento. Mesclando conteúdos técnicos com aspectos mais qualitativos e estratégicos do mercado de alimentos e bebidas, a conferência tem como mérito trazer visões de profissionais de diferentes etapas das cadeias de produção e distribuição de produtos, reforçando que a preocupação com a segurança alimentar não é responsabilidade de um só elo dessa rede, mas sim de todas as etapas e, inclusive, do consumidor final. Como ponto de convergência de todo o conteúdo apresentado, vemos que as certificações fornecidas por terceiros ainda são (e devem ser cada vez mais) ferramentas fundamentais para atestar e reforçar os padrões de qualidade dos produtos que consumimos.

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